
Médico Pessoa Jurídica em 2026: Guia Completo de Abertura, Regime Tributário e Economia
Médico PF paga até 38% de impostos. Na PJ (Lucro Presumido), paga ~13,33%. Guia completo: qual regime escolher, como abrir, pró-labore ideal e a combinação PJ + holding que reduz a carga para menos de 15%.
Em resumo: Médico PF paga até 27,5% de IR + 11% INSS sobre a renda — carga total de ~38%. Na PJ com Lucro Presumido, paga ~13,33% de alíquota efetiva (IRPJ + CSLL + ISS + PIS/COFINS). Para renda de R$30K/mês, a economia é de R$7.000–R$10.000/mês — R$84K–R$120K por ano.
Médico pessoa física que fatura R$30.000 por mês entrega ao governo entre R$7.000 e R$10.000 todo mês em imposto de renda e INSS. Em 12 meses, isso representa R$84.000 a R$120.000 que poderiam estar construindo patrimônio, financiando imóveis ou gerando renda passiva. A diferença entre PF e PJ não é tecnicismo contábil — é a decisão financeira mais impactante que um médico pode tomar na carreira.
A Receita Federal estima que mais de 60% dos médicos brasileiros ainda atuam parcial ou integralmente como pessoa física. Em 2026, com a tabela progressiva do IRPF atingindo a alíquota marginal máxima de 27,5% e a contribuição previdenciária de contribuinte individual chegando a R$1.799,99/mês (teto de 2026), a conta é pesada — e desnecessária para quem conhece os instrumentos disponíveis.
Este guia cobre tudo que um médico precisa saber sobre a estrutura PJ em 2026: comparativo tributário com números reais, como funciona o Simples Nacional e o Lucro Presumido, passo a passo de abertura, estratégia de pró-labore e distribuição de lucros, impacto da reforma tributária e a combinação PJ + holding familiar que reduz a carga para menos de 15%. Para uma simulação detalhada de PF versus PJ, veja também o artigo IR para Médico: PF ou PJ?.
PF vs PJ: Comparativo de Impostos para Médico com Renda de R$20K, R$30K e R$50K
Em resumo: A diferença tributária entre PF e PJ cresce com a renda. Para R$20K/mês, a economia mensal é de R$1.600–R$2.200. Para R$30K/mês, sobe para R$4.500–R$6.000. Para R$50K/mês, ultrapassa R$8.000/mês — mais de R$96K por ano. Esses valores já descontam os custos de contabilidade e INSS sobre o pró-labore mínimo.
A tributação do médico pessoa física combina dois encargos independentes: o IRPF progressivo sobre toda a renda bruta (com deduções limitadas) e a contribuição previdenciária de contribuinte individual sobre a renda até o teto. A PJ no Lucro Presumido substitui esse sistema por alíquotas fixas incidentes sobre o faturamento bruto — independentemente do volume.
Simulação comparativa completa
A tabela abaixo apresenta o comparativo tributário real para as três faixas de renda mais comuns entre médicos no Brasil em 2026. Os valores de PF incluem IRPF (com deduções mínimas — apenas dedução padrão de R$564,80/mês) + INSS contribuinte individual. Os valores de PJ assumem Lucro Presumido com ISS médio de 3,5%, PIS 0,65%, COFINS 3,00%, IRPJ 4,80% e CSLL 2,88% — total de ~13,33% — mais pró-labore mínimo de 1 salário mínimo com encargos.
| Faixas / Regime | Médico PF — R$20K/mês | Médico PF — R$30K/mês | Médico PF — R$50K/mês |
|---|---|---|---|
| IRPF (progressivo) | R$3.190 (15,95%) | R$5.750 (19,17%) | R$11.250 (22,50%) |
| INSS contribuinte individual (teto) | R$1.800 (9,0%) | R$1.800 (6,0%) | R$1.800 (3,6%) |
| Total carga tributária PF | R$4.990 (24,95%) | R$7.550 (25,17%) | R$13.050 (26,10%) |
| Renda líquida PF | R$15.010 | R$22.450 | R$36.950 |
| Faixas / Regime | PJ Lucro Presumido — R$20K | PJ Lucro Presumido — R$30K | PJ Lucro Presumido — R$50K |
|---|---|---|---|
| Impostos PJ (~13,33% do fat.) | R$2.666 (13,33%) | R$3.999 (13,33%) | R$6.665 (13,33%) |
| INSS sobre pró-labore mínimo (~R$502/mês) | R$502 (2,51%) | R$502 (1,67%) | R$502 (1,0%) |
| Contabilidade especializada | R$1.000 (5,0%) | R$1.200 (4,0%) | R$1.500 (3,0%) |
| Total custos PJ | R$4.168 (20,84%) | R$5.701 (19,0%) | R$8.667 (17,33%) |
| Renda líquida PJ | R$15.832 | R$24.299 | R$41.333 |
| Economia líquida vs PF | R$822/mês | R$1.849/mês | R$4.383/mês |
| Economia anual | R$9.864 | R$22.188 | R$52.596 |
Observações importantes:
- PF: valores estimados com base na tabela progressiva IRPF 2026 (Receita Federal, Decreto 9.580/2018) e teto INSS 2026
- PJ: alíquota efetiva pode variar entre 11,33% e 13,83% dependendo do município (alíquota de ISS)
- Contabilidade especializada é custo real e obrigatório — usar contador genérico gera risco fiscal
- Cálculo assume pró-labore mínimo de 1 salário mínimo (R$1.518 em 2026); pró-labore maior aumenta custo, mas pode ser necessário em alguns contextos
A economia cresce exponencialmente com a renda porque o IRPF é progressivo — cada real adicional acima de R$4.664,68 é tributado à alíquota marginal de 27,5%. Na PJ, a alíquota é plana: independentemente de faturar R$20K ou R$200K, o percentual sobre o faturamento se mantém em ~13,33%.
Para entender em detalhe como funciona a tributação em cada regime, veja o comparativo completo em IR para Médico: PF ou PJ? e o artigo sobre quanto ganha um médico no Brasil em 2026 para referência de renda por especialidade.
Simples Nacional para Médico: Pode? Quais as Limitações?
Em resumo: Médico pode optar pelo Simples Nacional, mas com limitações relevantes. O CFM (Conselho Federal de Medicina) restringe certas formas de organização empresarial. Pelo aspecto fiscal, o Simples pode ter alíquota efetiva maior que o Lucro Presumido para médicos com faturamento acima de R$180K/ano — especialmente quando o Fator R não é favorável.
O Simples Nacional (LC 123/2006) unifica 8 tributos em uma guia única com alíquota progressiva por faixa de faturamento. Para médicos, o enquadramento correto é determinante: o Anexo III oferece alíquotas de 6% a 14,7%, mas o Fator R — relação entre folha de pagamento e faturamento — decide se o médico vai para o Anexo III (barato) ou para o Anexo V (caro, alíquotas de 15,5% a 30%).
O Fator R: o detalhe que muda tudo
O Fator R é calculado pela divisão da folha de salários dos últimos 12 meses pelo faturamento do mesmo período. Se o resultado for igual ou superior a 28%, o médico é tributado pelo Anexo III. Se for inferior a 28%, vai para o Anexo V.
Para a maioria dos médicos que operam sozinhos (ou com poucos funcionários) e têm alto faturamento, a folha de pagamento é baixa em relação ao faturamento — jogando o Fator R abaixo de 28% e forçando o enquadramento no Anexo V. Resultado: alíquota efetiva de 15,5% a 22% — pior que o Lucro Presumido.
Quando o Simples pode ser competitivo:
- Médico recém-formado com faturamento inicial baixo (abaixo de R$180K/ano)
- Clínica com equipe relevante de funcionários (folha elevada melhora o Fator R)
- Municípios com ISS alto (5%): o Simples unifica ISS e pode reduzir a carga em comparação ao Lucro Presumido nessas cidades
Limitações éticas e regulatórias do CFM
O CFM (Conselho Federal de Medicina) estabelece restrições para o exercício empresarial da medicina. A Resolução CFM 1.481/1997 e normas complementares vedam o exercício da medicina com finalidade preponderantemente comercial-empresarial. Isso não impede a abertura de PJ, mas exige que a atividade médica se organize como sociedade simples (não empresária), o que tem implicações no registro contábil e na estrutura societária.
Na prática: médico pode abrir PJ e optar pelo Simples Nacional. Mas a modalidade societária precisa ser compatível com as normas do CRM (Conselho Regional de Medicina) do seu estado. Contadores especializados em medicina conhecem essas nuances — contador genérico, não.
Comparativo rápido: Simples Nacional vs Lucro Presumido para médico
| Critério | Simples Nacional | Lucro Presumido |
|---|---|---|
| Faturamento anual máximo | R$4,8 milhões | R$78 milhões |
| Alíquota efetiva típica para médico | 15,5%–22% (Anexo V) ou 6%–14,7% (Anexo III) | ~13,33% (fixo) |
| Dependência do Fator R | Sim — crítico | Não |
| ISS incluído na alíquota | Sim | Separado (2%–5%) |
| Contabilidade exigida | Simplificada | Completa |
| Distribuição de lucros isenta | Sim (até 2026, acima do limite da Lei 15.270) | Sim (mesmas regras) |
| Ideal para | Faturamento < R$180K/ano com Fator R > 28% | Faturamento > R$180K/ano ou Fator R < 28% |
A escolha entre Simples e Lucro Presumido exige simulação numérica com os dados reais do médico. A diferença pode ser de R$500 a R$3.000 por mês dependendo da faixa de faturamento e do município.
Lucro Presumido: Como Funciona e Por Que é o Mais Comum para Médicos
Em resumo: No Lucro Presumido, a Receita Federal presume que 32% do faturamento de serviços é lucro e tributa sobre essa base. O resultado é uma alíquota efetiva fixa de ~13,33% sobre o faturamento bruto — independentemente do volume faturado. Essa previsibilidade e a alíquota plana tornam o regime o mais adotado por médicos com renda acima de R$20K/mês.
O Lucro Presumido é regulado pelo Decreto 9.580/2018 (Regulamento do Imposto de Renda) e pela Lei 9.249/1995. Para serviços médicos, a base presumida de lucro é de 32% do faturamento bruto — sobre essa base incidem IRPJ (15%) e CSLL (9%). Além disso, sobre o faturamento bruto incidem PIS (0,65%) e COFINS (3,00%), mais o ISS municipal (2%–5%).
Composição detalhada da alíquota efetiva
| Tributo | Base de cálculo | Alíquota | Sobre faturamento bruto |
|---|---|---|---|
| ISS | Faturamento | 2%–5% (municipal) | ~3,5% (média nacional) |
| PIS | Faturamento | 0,65% | 0,65% |
| COFINS | Faturamento | 3,00% | 3,00% |
| IRPJ | 32% do faturamento (base presumida) | 15% | 4,80% |
| CSLL | 32% do faturamento (base presumida) | 9% | 2,88% |
| Total | ~13,33%–16,33% |
A variação de 13,33% a 16,33% depende da alíquota de ISS do município. Em São Paulo, o ISS para serviços médicos é de 2% para clínicas menores — chegando a 5% em alguns municípios. O cálculo correto exige verificação da legislação tributária municipal.
Vantagens estruturais do Lucro Presumido
1. Alíquota plana: Não existe progressividade. Faturar R$20K ou R$200K resulta na mesma alíquota efetiva de ~13,33%. Isso elimina o "imposto sobre o crescimento" que pune o médico PF quando a renda cresce.
2. Distribuição de lucros isenta até R$50K/mês: Os lucros distribuídos ao sócio além do pró-labore são isentos de IRPF até o limite de R$50.000/mês por sócio (acima disso, incide IRRF de 10% pela Lei 15.270/2025 — veja mais em tributação de dividendos 2026).
3. Simplicidade relativa: O cálculo de IRPJ e CSLL é simples — aplica-se a alíquota sobre 32% do faturamento. Não é necessário apurar custos e despesas reais (diferentemente do Lucro Real).
4. Sem limite de faturamento relevante para médicos: O teto de R$78 milhões/ano não é uma restrição prática para a esmagadora maioria dos médicos.
Como Abrir uma PJ Médica — Passo a Passo
Em resumo: Abrir uma PJ médica leva de 20 a 45 dias com contador especializado. O custo total de abertura fica entre R$1.800 e R$4.500 (contador + taxas + registro CRM). A manutenção mensal custa R$900–R$1.800. Para médicos com faturamento acima de R$20K/mês, o investimento se paga no primeiro mês de operação.
O processo de abertura de PJ médica envolve etapas jurídicas, fiscais e regulatórias. Nenhuma é complexa individualmente — o desafio está na sequência correta e na escolha de profissionais que entendem as especificidades do exercício médico.
Passo a passo detalhado
| Etapa | Ação | Custo estimado | Prazo |
|---|---|---|---|
| 1 | Definir tipo societário (SLU para médico solo; Sociedade Simples para 2+ sócios) | Incluído nos honorários | 1–2 dias |
| 2 | Escolher CNAE correto (8630-5/01 com procedimentos cirúrgicos; 8630-5/02 sem) | Sem custo | 1 dia |
| 3 | Elaborar contrato social com cláusulas específicas para atividade médica | R$800–R$2.000 (contador/advogado) | 3–5 dias |
| 4 | Registrar na Junta Comercial (JUCESP em SP; equivalente no estado) | R$300–R$600 (taxas estaduais) | 5–10 dias úteis |
| 5 | Obter CNPJ na Receita Federal | Sem custo (automático pós-Junta) | 1–3 dias |
| 6 | Inscrição Municipal + Alvará de Funcionamento | R$100–R$500 (taxas municipais) | 5–15 dias úteis |
| 7 | Registro no CRM como pessoa jurídica (obrigatório) | R$500–R$1.500/ano | 5–10 dias úteis |
| 8 | Certificado Digital (necessário para emissão de NF-e/NFS-e) | R$150–R$300/ano | 1–3 dias |
| 9 | Opção pelo regime tributário (Simples ou Lucro Presumido) | Incluído nos honorários | Antes do 1º faturamento |
| Total | R$1.850–R$4.900 | 20–45 dias |
Tipo societário: SLU ou Sociedade Simples?
A escolha do tipo societário é uma das decisões mais importantes e frequentemente negligenciada:
Sociedade Limitada Unipessoal (SLU): Permite que o médico seja o único sócio. Responsabilidade limitada ao capital social declarado (o patrimônio pessoal fica protegido de dívidas da empresa). É o formato mais comum para médicos autônomos que atuam em clínicas de terceiros ou consultório próprio.
Sociedade Simples Limitada: Obrigatória quando dois ou mais médicos se associam. O CFM recomenda essa modalidade para exercício conjunto da atividade médica porque preserva o caráter não-empresarial da profissão.
EIRELI: Extinta desde 2021. Quem tinha EIRELI foi convertido automaticamente para SLU.
Cuidados específicos para médico PJ
- O objeto social deve descrever a atividade médica com precisão — um objeto social genérico pode ser recusado pelo CRM
- O endereço da sede pode ser residencial, de consultório ou de coworking médico (escritório virtual com endereço fiscal)
- Médico que atua em múltiplas especialidades precisa incluir todos os CNAEs correspondentes
- A opção tributária (Simples ou Lucro Presumido) é feita no início do ano-calendário — no primeiro ano, pode ser feita na abertura
Pró-labore, Distribuição de Lucros e Planejamento de Retirada
Em resumo: A estratégia de retirada na PJ médica envolve dois componentes: pró-labore (tributado como salário — IRPF + INSS) e distribuição de lucros (isenta até R$50K/mês desde janeiro de 2026, via Lei 15.270/2025). O ideal é manter o pró-labore no menor valor possível e retirar o restante como dividendos — reduzindo drasticamente o INSS e o IRPF sobre a renda.
O erro mais comum de médicos que abrem PJ é não planejar corretamente a retirada. O contador simplesmente "deixa como está" — e o médico acaba pagando mais imposto do que o necessário dentro da própria PJ.
Como funciona o pró-labore
Todo sócio que trabalha na empresa é obrigado a retirar pró-labore — remuneração mensal análoga ao salário. O pró-labore é tributado pelo IRPF progressivo e pelo INSS (11% do sócio, até o teto, mais 20% patronal sobre o valor bruto).
A estratégia é definir o pró-labore no menor valor aceitável fiscalmente. O valor mínimo reconhecido pelo fisco é 1 salário mínimo (R$1.518 em 2026). Com esse pró-labore mínimo, o custo previdenciário total é:
| Item | Cálculo | Valor mensal |
|---|---|---|
| Pró-labore bruto | — | R$1.518,00 |
| INSS sócio (11%) | R$1.518 × 11% | R$166,98 |
| INSS patronal (20%) | R$1.518 × 20% | R$303,60 |
| IRPF (pró-labore de R$1.518 é isento) | R$0 | R$0,00 |
| Custo previdenciário total | R$470,58/mês |
O restante do faturamento — após pagar os impostos da PJ — pode ser distribuído como lucros, isentos de IRPF até R$50K/mês por sócio (Lei 15.270/2025). Acima desse limite, incide IRRF de 10% sobre o excedente.
Os 6 erros mais comuns no planejamento de retirada da PJ médica
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Pró-labore excessivo: Definir pró-labore igual ao salário de mercado (R$15.000–R$30.000) gera INSS e IRPF altíssimos. O mínimo legal é R$1.518 — e é o correto fiscalmente.
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Não separar conta PJ da conta pessoal: Misturar as contas cria "confusão patrimonial" — risco de desconsideração da personalidade jurídica e perda da proteção societária. Um sistema de controle financeiro para médicos resolve essa separação com método e automação.
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Distribuir lucros sem base contábil: A distribuição de lucros precisa ter lastro em resultado positivo na contabilidade da empresa. Distribuir mais do que o lucro apurado é "adiantamento a sócio" — que tem tratamento tributário diferente e pode gerar autuação.
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Ignorar a Lei 15.270/2025: A partir de janeiro de 2026, distribuições acima de R$50K/mês por sócio têm IRRF de 10% sobre o excedente. Quem distribui R$80K/mês paga R$3.000/mês de IRRF — R$36.000/ano. Planejar a retirada dentro do limite isento pode eliminar esse custo.
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Usar contador sem experiência em medicina: O contador precisa conhecer as especificidades do CFM, a emissão de NFS-e para múltiplas fontes pagadoras (hospital, clínica, consultório) e as obrigações acessórias da PJ médica. Contador genérico de honorário baixo gera risco fiscal alto.
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Não revisar o regime tributário anualmente: A opção pelo Simples ou Lucro Presumido é feita no início de cada ano. Mudanças no faturamento, na composição de receitas ou na folha de pagamento podem tornar o regime atual desvantajoso. Revisão anual com contador é obrigatória.
Reforma Tributária 2025-2026: O Que Muda para o Médico PJ?
Em resumo: A Reforma Tributária (EC 132/2023) cria dois novos tributos — CBS (federal) e IBS (estadual/municipal) — que substituirão, gradualmente até 2033, o PIS, COFINS e o ISS. Para médicos em Lucro Presumido, a estimativa é de aumento de 2 a 4 pontos percentuais na carga efetiva. O período de transição dá tempo para reorganização, mas o planejamento precisa começar agora.
A Reforma Tributária aprovada pela EC 132/2023 é a mudança mais profunda no sistema tributário brasileiro em décadas. Para médicos PJ, dois aspectos são centrais:
O que muda com CBS e IBS
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): Tributo federal que substitui PIS e COFINS. Alíquota padrão estimada em 8,8% — mas com créditos do sistema não-cumulativo, a carga efetiva varia. Para serviços médicos (isentos de IPI), a transição do sistema cumulativo atual para o não-cumulativo pode aumentar a carga se os insumos dedutíveis forem limitados.
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): Substitui o ICMS estadual e o ISS municipal. A alíquota padrão nacional estimada é de 17,7%. Serviços de saúde têm previsão de redução de 60% na alíquota (alíquota efetiva de ~7%), mas a regulamentação específica ainda está sendo definida pelo Comitê Gestor do IBS.
Cronograma de transição
| Período | Status |
|---|---|
| 2024–2026 | Fase de preparação e regulamentação; PIS/COFINS/ISS ainda vigentes |
| 2027–2028 | CBS e IBS em vigor com alíquotas reduzidas (teste); convivência com tributos antigos |
| 2029–2032 | Extinção gradual de PIS/COFINS/ISS; CBS e IBS em alíquotas plenas |
| 2033 | Sistema novo completamente implantado |
Impacto estimado para médico PJ no Lucro Presumido
| Cenário | Carga tributária atual | Estimativa pós-reforma (2033) |
|---|---|---|
| ISS 2% (municípios menores) | ~11,33% | ~13%–15% |
| ISS 3,5% (média nacional) | ~13,33% | ~14%–16% |
| ISS 5% (alguns grandes municípios) | ~14,83% | ~14%–15% |
O impacto da reforma é moderado para a maioria dos médicos — e pode ser positivo para quem hoje paga ISS alto (5%), pois a alíquota reduzida de saúde no IBS pode ser menor. Contudo, a PJ ainda continuará sendo muito mais vantajosa que a PF mesmo após a reforma completa.
O que fazer agora: Nenhuma ação urgente é necessária antes de 2027. O foco atual deve ser maximizar a economia no regime atual (Lucro Presumido) e acompanhar a regulamentação do Comitê Gestor do IBS para serviços de saúde. Contador atualizado é o melhor investimento.
Médico PJ + Holding Familiar: A Combinação Mais Eficiente
Em resumo: A combinação PJ médica + holding familiar cria o ambiente tributário mais eficiente disponível legalmente para médicos no Brasil. A PJ reduz a carga sobre a renda do trabalho para ~13,33%. A holding reduz a carga sobre a renda do patrimônio (aluguéis) de 27,5% para ~11,33%. Juntas, eliminam o inventário e protegem o patrimônio construído.
A PJ médica resolve a tributação sobre a renda do trabalho. Mas o patrimônio construído com essa economia — imóveis, investimentos — também gera renda que, na pessoa física, é tributada a até 27,5%. A holding familiar é a estrutura que resolve essa segunda camada.
Como a holding complementa a PJ médica
Renda de aluguel: Imóveis no CPF tributam aluguéis a até 27,5% de IRPF. Os mesmos imóveis na holding (Lucro Presumido) são tributados a ~11,33% — economia de 16 pontos percentuais sobre toda a renda passiva imobiliária.
Sucessão patrimonial: Com a holding, os imóveis já estão no CNPJ. A transferência para os herdeiros é feita por doação de quotas — sem inventário, sem bloqueio de bens, sem o custo de 5%–15% do patrimônio em custas e honorários.
Proteção contra ITCMD progressivo: Em 2026, com o ITCMD chegando a 8% na maioria dos estados (EC 132/2023), o planejamento antecipado via holding reduz a alíquota efetiva de sucessão de 6%–8% para 2%–4% — economia de centenas de milhares de reais para patrimônios acima de R$2 milhões.
Estrutura típica do médico com PJ + holding
Médico (CPF)
│
├─── PJ Médica (CNPJ) ─── Atividade médica → tributa a ~13,33%
│ │
│ └─── Distribuição de lucros → isenta até R$50K/mês
│
└─── Holding Familiar (CNPJ) ─── Imóveis e investimentos
│
└─── Renda de aluguel → tributa a ~11,33%
└─── Quotas doadas aos herdeiros (usufruto reservado)
Quando a holding faz sentido para o médico PJ
| Patrimônio imobiliário | Vale a pena holding? | Payback estimado |
|---|---|---|
| Abaixo de R$500K | Não — custo não compensa | — |
| R$500K–R$1M | Marginal — avaliar caso a caso | 3–5 anos |
| R$1M–R$2M | Sim, especialmente com renda de aluguel | 1–3 anos |
| Acima de R$2M | Claramente sim | Menos de 1 ano |
A combinação PJ + holding é o padrão de estruturação patrimonial mais eficiente para médicos com faturamento acima de R$30K/mês e patrimônio imobiliário relevante. A carga tributária total sobre toda a renda (trabalho + patrimônio) cai para 12%–15% — menos da metade do que um médico PF sem estruturação pagaria.
Para um exemplo prático de como esse caminho é construído, veja o artigo sobre holding familiar e o guia de tributação de dividendos 2026 — que detalha como planejar a distribuição de lucros da PJ dentro do limite isento.
Quer calcular o impacto completo para o seu caso? Acesse o simulador Credco e veja a projeção patrimonial com e sem estruturação PJ + holding — em 5 e 10 anos.
Perguntas Frequentes
As dúvidas mais frequentes de médicos sobre abertura e gestão de PJ envolvem a comparação com a situação PF, as limitações do Simples Nacional, a estratégia de pró-labore e o impacto da reforma tributária.
Médico pode abrir empresa e pagar menos imposto?
Sim. Na PJ (Lucro Presumido), a alíquota efetiva é ~13,33% sobre o faturamento vs 27,5% de IR + 11% INSS na PF. Para renda de R$30K/mês, a economia é de R$7K–R$10K/mês. A economia é estrutural: a PJ tributa serviços a alíquota plana, enquanto o IRPF tributa a renda com progressividade crescente. Não existe forma legal de tributação mais eficiente para médico com renda acima de R$20K/mês.
Qual regime tributário é melhor para médico: Simples Nacional ou Lucro Presumido?
Para a maioria dos médicos, o Lucro Presumido é mais vantajoso. O Simples Nacional (LC 123/2006) tem limitações éticas — o CFM restringe certas formas de organização comercial para médicos — e pode ter alíquota maior para faturamentos acima de R$180K/ano, especialmente quando o Fator R não é favorável. O Simples pode ser competitivo apenas para médicos recém-formados com faturamento inicial baixo e folha de pagamento que garanta Fator R acima de 28%.
Quanto um médico economiza abrindo PJ vs trabalhando como PF?
Com renda de R$30K/mês: PF paga ~R$7.550/mês em IR + INSS; PJ paga ~R$5.701/mês em todos os custos (impostos + contabilidade + pró-labore). Economia de ~R$1.849/mês — R$22.188/ano. Sobre R$50K/mês: economia líquida de R$4.383/mês — mais de R$52.000/ano. Esses valores já descontam os custos reais de manutenção da PJ.
Médico no Simples Nacional: quais as limitações éticas e fiscais?
O CFM proíbe médicos de exercer atividade médica com finalidade preponderantemente empresarial. A "sociedade uniprofissional" (sociedade simples) paga ISS fixo em muitos municípios — mas a adesão ao Simples Nacional pode ter alíquota de 15,5%–22% para médicos enquadrados no Anexo V (quando Fator R < 28%), que pode superar o Lucro Presumido. Consulte o CRM do seu estado para verificar as restrições locais.
O que muda na tributação de médico PJ com a reforma tributária 2025-2026?
A reforma tributária (CBS/IBS) substitui PIS/COFINS e ISS até 2033. Para médicos em Lucro Presumido, o impacto estimado é de aumento de 2 a 4 pontos percentuais na carga efetiva — de ~13,33% para ~14%–16%. Serviços de saúde têm previsão de alíquota reduzida de 60% no IBS. O cronograma de transição vai até 2033, com convivência de regimes a partir de 2027. Nenhuma ação urgente é necessária antes de 2027, mas o acompanhamento da regulamentação é importante.
Conclusão
A abertura de PJ médica em 2026 não é uma escolha — é a decisão financeira mais rentável disponível para qualquer médico com faturamento acima de R$20.000 por mês. A combinação de alíquota efetiva plana de ~13,33% no Lucro Presumido, distribuição de lucros isenta até R$50K/mês e ausência de progressividade sobre o crescimento da renda representa uma vantagem estrutural impossível de replicar como pessoa física.
Para médicos que ainda não têm PJ, cada mês de atraso é dinheiro perdido: entre R$9.000 e R$52.000 por ano, dependendo do faturamento. Para quem já tem PJ mas não revisou a estratégia de retirada ou o regime tributário recentemente, a revisão anual pode revelar oportunidades de economia adicionais.
E para quem construiu patrimônio com a economia tributária — ou está no caminho —, a holding familiar é o próximo passo natural: reduz a carga sobre renda passiva, protege o patrimônio e antecipa a sucessão de forma eficiente diante do ITCMD progressivo de 2026.
O modelo não é complicado. A PJ médica é a fundação. A holding é a proteção. A economia tributária acumulada é o capital para construção patrimonial acelerada.
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Sobre o autor: Ricardo Melo é fundador e CEO da Credco, boutique de construção patrimonial que já alavancou mais de R$250 milhões em patrimônio para mais de 500 profissionais de alta renda. Especialista em planejamento tributário integrado à construção patrimonial.
Disclaimer: Este conteúdo tem caráter educacional e não constitui recomendação individualizada de investimento ou consultoria tributária. Decisões financeiras devem considerar sua situação pessoal. Consulte um contador especializado e, se necessário, um advogado tributarista antes de abrir ou alterar a estrutura da sua PJ médica.
Fontes e referências:
- Receita Federal do Brasil — Tabela Progressiva IRPF 2026, regras de Lucro Presumido e Simples Nacional
- CFM — Conselho Federal de Medicina — Resoluções sobre exercício empresarial da medicina
- Planalto — Lei Complementar 123/2006 — Simples Nacional, Fator R, Anexos III e V
- Decreto 9.580/2018 — Regulamento do Imposto de Renda (Lucro Presumido)
- Lei 9.249/1995, art. 15 — Base presumida de 32% para serviços
- EC 132/2023 — Reforma Tributária CBS/IBS
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