
Aposentadoria do Médico: INSS, PGBL ou Investimentos? Simulação Completa
Médico PJ não é obrigado a pagar INSS, mas perde benefícios. Veja simulação de 3 estratégias de aposentadoria para médico com renda R$20K–R$80K/mês e qual acumula mais em 20 anos.
Resumo
Médico como pessoa jurídica não é obrigado a contribuir para o INSS, mas perde o direito à aposentadoria por tempo de contribuição. A alternativa mais eficiente para médicos de alta renda é combinar contribuição mínima ao INSS (R$1.518/mês em 2026) com PGBL até 12% da renda bruta declarada e carteira de investimentos própria, visando renda passiva de R$25K–R$50K/mês na aposentadoria.
A pergunta chega com frequência no consultório financeiro: "Preciso mesmo pagar INSS se opero como PJ?" A resposta curta é não — mas a resposta completa envolve uma conta que a maioria dos médicos nunca fez. O que você perde ao não contribuir, quanto o PGBL realmente rende no seu caso específico, e qual estratégia de acumulação deixa mais patrimônio em 20 anos são perguntas que este artigo responde com números concretos.
O problema real não é o INSS. É que a maioria dos médicos que operam via PJ construiu sua estratégia de aposentadoria em torno de "vou investir o que sobra" — sem nenhuma estrutura, sem produto otimizado, sem simulação de quanto precisam acumular para manter o padrão de vida atual. O resultado é previsível: renda de R$40K/mês hoje, renda de R$8K/mês na aposentadoria pública.
Este artigo apresenta três estratégias com simulação de 20 anos, tabelas de independência financeira por faixa de renda e um checklist anual para quem quer chegar aos 60 anos com renda passiva de R$25K–R$50K/mês.
INSS para Médico PJ — Como Funciona e Vale a Pena?
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) é o regime geral de previdência pública brasileira. Para o médico que atua como empregado de hospital ou clínica com carteira assinada, a contribuição é obrigatória e feita automaticamente (alíquota progressiva de 7,5% a 14%, descontada do salário). Para o médico que opera como pessoa jurídica prestando serviços, a situação é diferente: a PJ não é obrigada a recolher INSS sobre os sócios — apenas sobre os empregados contratados.
O médico PJ pode, porém, optar por contribuir individualmente como contribuinte individual facultativo, pagando o INSS sobre uma base de contribuição de sua escolha — do salário mínimo ao teto. Em 2026, o teto de contribuição é de R$8.157,41 e a alíquota para contribuinte individual que deseja aposentadoria integral (por tempo de contribuição) é de 20%, resultando em contribuição máxima de R$1.631,48/mês.
O Teto do INSS em 2026 e o Problema para Médicos de Alta Renda
| Tipo de Contribuição | Competência Base | Alíquota | Valor Mensal | Benefício Máximo |
|---|---|---|---|---|
| Contribuição mínima (1 salário mínimo) | R$1.518,00 | 20% | R$303,60 | Aposentadoria de até R$1.518,00 |
| Contribuição sobre o teto | R$8.157,41 | 20% | R$1.631,48 | Aposentadoria de até R$7.786,02 |
| Contribuição média (R$4.000) | R$4.000,00 | 20% | R$800,00 | Aposentadoria proporcional |
Fonte: INSS — Tabela de Contribuições 2026 e Portaria MPS 2026
O teto do benefício de aposentadoria pelo INSS em 2026 é R$7.786,02/mês — independentemente de quanto você contribuiu acima desse valor ao longo da vida. Para um médico com renda de R$40.000/mês, o INSS sozinho substitui menos de 20% da renda atual. O padrão de vida desaba.
Isso torna a questão objetiva: pagar INSS sobre o teto para garantir R$7.786/mês de aposentadoria pública não é eficiente para médicos com renda acima de R$20K/mês. A estratégia mais racional é contribuir com o mínimo necessário para proteger os benefícios de curto prazo — e redirecionar o restante para acumulação privada.
Os Benefícios do INSS Que Vão Além da Aposentadoria
Este é o ponto que muitos médicos ignoram ao cancelar a contribuição: a aposentadoria é apenas um dos benefícios do INSS. Os demais têm valor imediato e alto para o médico PJ:
Auxílio-doença (agora Benefício por Incapacidade Temporária): pago em caso de doença ou acidente que impeça o trabalho por mais de 15 dias. Para o médico que deixa de operar o bisturi por uma lesão no ombro, esse benefício pode representar a diferença entre manter a PJ funcionando ou liquidar patrimônio de emergência. Carência: 12 contribuições mensais.
Salário-maternidade: pago por 120 dias no nascimento, adoção ou guarda judicial de filho. Para médicas PJ que não contribuem ao INSS, o salário-maternidade simplesmente não existe — a licença é não remunerada pelo regime público. O valor é calculado sobre a média das contribuições (até o teto de R$7.786,02).
Aposentadoria por invalidez (Benefício por Incapacidade Permanente): em caso de invalidez permanente, a aposentadoria pública entra de imediato — sem precisar esperar o tempo mínimo de contribuição para aposentadoria por idade. Sem INSS, o médico depende exclusivamente do seguro de invalidez privado contratado.
Pensão por morte: garantia para dependentes em caso de falecimento. Sem INSS, os dependentes não têm direito à pensão pública.
A Estratégia da Contribuição Mínima
A conclusão prática para a maioria dos médicos PJ de alta renda: contribuir com o salário mínimo ao INSS (R$1.518/mês como base, R$303,60/mês em contribuição) para manter os benefícios acessórios — especialmente auxílio-doença e salário-maternidade — sem comprometer capital que poderia estar acumulando em investimentos de maior retorno.
O custo anual é R$3.643,20 — menos de um mês de renda para um médico que ganha R$40K/mês. A proteção que oferece contra incapacidade temporária justifica o gasto independentemente do cenário de aposentadoria.
PGBL para Médico — Quanto Economiza e Quanto Rende?
O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre), regulado pela SUSEP e com tributação definida pela Receita Federal via IN RFB 1.537/2015, permite deduzir até 12% da renda bruta tributável anual na declaração de IR — mas apenas para quem declara no modelo completo como pessoa física.
Este detalhe é crítico para médicos PJ: a dedução do PGBL é sobre a base do IRPF pessoal, não sobre o IRPJ da empresa. Se o médico tem pro-labore de R$3.500/mês e distribui o restante como dividendos ou lucros, a base de dedução do PGBL é pequena. Leia o aprofundamento completo em nosso guia sobre PGBL e VGBL para médicos.
Quanto o PGBL Economiza por Faixa de Pro-Labore
| Pro-labore Anual | Base PGBL (12%) | Alíquota IR Marginal | Economia Anual | Economia Mensal |
|---|---|---|---|---|
| R$42.000 (R$3,5K/mês) | R$5.040 | ~22,5% | R$1.134 | R$94 |
| R$72.000 (R$6K/mês) | R$8.640 | ~25% | R$2.160 | R$180 |
| R$120.000 (R$10K/mês) | R$14.400 | ~27,5% | R$3.960 | R$330 |
| R$240.000 (R$20K/mês) | R$28.800 | ~27,5% | R$7.920 | R$660 |
| R$360.000 (R$30K/mês) | R$43.200 | ~27,5% | R$11.880 | R$990 |
Cálculo baseado na tabela progressiva do IRPF 2026 da Receita Federal. Valores aproximados.
Acumulação do PGBL em 20 Anos — Médico com Pro-labore de R$10K/mês
Para um médico que pode aportar R$14.400/ano no PGBL (pro-labore de R$10K/mês), como é a acumulação em 20 anos com a tabela regressiva?
| Ano | Aporte Anual | Economia de IR Reinvestida | Total Acumulado (CDI ~10% a.a. longo prazo) |
|---|---|---|---|
| 5 | R$14.400 | R$3.960 | R$92.000 |
| 10 | R$14.400 | R$3.960 | R$242.000 |
| 15 | R$14.400 | R$3.960 | R$489.000 |
| 20 | R$14.400 | R$3.960 | R$888.000 |
Taxa de retorno: CDI projetado de 10% a.a. real de longo prazo (com Selic convergindo para níveis mais moderados). Sem considerar come-cotas (previdência é isenta de come-cotas). Projeções futuras são incertas.
O PGBL isento de come-cotas semestral já representa uma vantagem estrutural de aproximadamente 0,5%–0,8% a.a. sobre fundos de renda fixa tradicionais. Somado à economia fiscal na entrada, o PGBL na tabela regressiva (10% de IR após 10 anos) é o produto mais eficiente para acumulação de longo prazo de quem pode usá-lo.
Quem Pode e Quem Não Pode Usar o PGBL
Pode usar PGBL com benefício pleno: médico que declara IR como pessoa física no modelo completo, com renda tributável (pro-labore + rendimentos de aluguéis + outros rendimentos PF) acima de R$15.000/mês.
PGBL tem benefício marginal: médico PJ com pro-labore baixo (abaixo de R$5.000/mês) e renda concentrada em dividendos. A economia cai para menos de R$1.500/ano — pouco impacto no planejamento de aposentadoria.
Use VGBL: médico PJ que distribui quase toda renda como dividendos, isentos de IR no modelo atual. O VGBL não gera dedução, mas cobra IR apenas sobre rendimentos no resgate — e na tabela regressiva (10% após 10 anos) ainda supera CDB (15%) e fundos com come-cotas.
Aposentadoria via Carteira Própria — O Modelo de Renda Passiva
Para médicos com renda acima de R$30K/mês, a estratégia mais eficiente de aposentadoria não passa — pelo menos não exclusivamente — por INSS ou PGBL. Passa pela construção de uma carteira de investimentos diversificada capaz de gerar renda passiva suficiente para substituir o rendimento do trabalho.
O conceito é simples: você precisa de um patrimônio suficientemente grande que, quando aplicado, gere rendimentos mensais equivalentes ao seu custo de vida. A regra mais usada internacionalmente é a taxa de retirada de 4% ao ano — que, aplicada ao patrimônio total, garante sustentabilidade por 30+ anos sem deplecionar o capital (baseado em estudos de sequência de retornos do mercado americano; para o Brasil, taxas de 3,5% a.a. são mais conservadoras dado o histórico de volatilidade).
Componentes de uma Carteira de Renda Passiva para Médicos
| Classe de Ativo | Participação Sugerida | Rendimento Esperado (a.a.) | Papel na Carteira |
|---|---|---|---|
| Renda Fixa (CDB, Tesouro IPCA+) | 40%–50% | IPCA + 6% a 7% | Proteção, previsibilidade, liquidez |
| FII (Fundos de Investimento Imobiliário) | 20%–30% | Dividend yield 8%–10% a.a. | Renda mensal, proteção inflacionária |
| Ações/ETF (Ibovespa, S&P500) | 15%–25% | 12%–15% a.a. histórico (longo prazo) | Crescimento de capital |
| VGBL (tabela regressiva) | 10%–15% | CDI + gestão ativa | Planejamento sucessório, eficiência tributária |
Alocação ilustrativa para perfil moderado com horizonte de 15–20 anos. Não constitui recomendação de investimento.
Quanto Patrimônio Gera R$20K, R$30K e R$50K/mês de Renda Passiva?
Usando taxa de retirada conservadora de 4% ao ano (ou rendimento bruto de 10% a.a. com reinvestimento de 6% para preservar poder de compra com inflação):
| Renda Passiva Desejada/mês | Patrimônio Necessário (retirada 4% a.a.) | Patrimônio Necessário (rendimento 10% a.a.) |
|---|---|---|
| R$10.000/mês | R$3.000.000 | R$1.200.000 |
| R$20.000/mês | R$6.000.000 | R$2.400.000 |
| R$30.000/mês | R$9.000.000 | R$3.600.000 |
| R$50.000/mês | R$15.000.000 | R$6.000.000 |
A "regra dos 4%" considera preservação do capital em termos reais. O modelo "rendimento 10%" consome parte do capital no longo prazo se a inflação for superior a 6% a.a. — use com cautela.
Referência rápida: Para cada R$1M investido em carteira diversificada, você pode retirar R$3.300–R$4.200/mês de forma sustentável (dependendo da alocação). Um patrimônio de R$6M gera R$20K–R$25K/mês sem deplecionar o capital.
FII Como Motor de Renda Mensal
Os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) merecem destaque especial na estratégia de renda passiva para médicos. Os dividendos distribuídos mensalmente pelos FII são isentos de IR para pessoa física (Lei 11.033/2004), o que representa uma vantagem tributária expressiva em comparação com CDB (IR de 15%–22,5%) e ações (IR de 15% sobre dividendos após Lei 15.270/2025).
Um portfólio de R$2M em FII de papéis (FIIs de recebíveis imobiliários como MXRF11, KNRI11) distribui historicamente entre R$14.000–R$18.000/mês em dividendos — isentos de IR. Combinado com Tesouro IPCA+ para a reserva de proteção e ações para crescimento, esse portfólio pode gerar R$20K–R$25K/mês com patrimônio total de R$5M–R$6M.
Simulação: 3 Estratégias para Médico com Renda de R$40K/mês
Este é o coração do artigo. Vamos simular três estratégias distintas para um médico com as seguintes características:
- Perfil: Médico especialista, PJ Lucro Presumido, 38 anos, renda de faturamento R$40.000/mês líquido (após impostos PJ), custo de vida R$25.000/mês
- Horizonte: 20 anos (aposentadoria aos 58 anos)
- Capacidade de poupança: R$15.000/mês (37,5% da renda líquida)
- Retorno médio de longo prazo: 10% a.a. (carteira diversificada, nominal)
Cenário A — Apenas INSS (Contribuição sobre o Teto)
Estratégia: contribuir R$1.631,48/mês ao INSS sobre o teto. O restante da capacidade de poupança (R$13.368,52/mês) fica em poupança ou CDB básico sem estratégia.
| Métrica | Resultado |
|---|---|
| Contribuição mensal total | R$15.000 |
| Aposentadoria pública (teto INSS 2026) | R$7.786/mês |
| Acumulação em investimentos básicos (poupança 6% a.a.) | R$6.100.000 |
| Renda passiva da carteira básica | R$30.500/mês (mas: IR 22,5% sobre rendimentos CDB) |
| Renda líquida estimada na aposentadoria | R$31.000/mês |
| Custo total de contribuição ao INSS em 20 anos | R$391.555 |
| Benefício bruto do INSS em 20 anos de aposentadoria | R$1.868.640 (se viver 20 anos aposentado) |
Análise: Contribuir ao INSS sobre o teto por 20 anos custa R$391K para garantir R$7.786/mês — uma relação custo/benefício aceitável apenas se você atingir tempo de contribuição e viver muitos anos aposentado. Para médicos de alta renda, esse capital investido em carteira própria geraria muito mais.
Cenário B — INSS Mínimo + PGBL + Investimentos
Estratégia: contribuição mínima ao INSS (R$303,60/mês), PGBL máximo (R$1.200/mês, 12% do pro-labore de R$10K/mês), e restante em carteira diversificada (FII + Tesouro IPCA+ + ações).
| Métrica | Resultado |
|---|---|
| Contribuição INSS | R$303,60/mês |
| Aporte PGBL (tabela regressiva) | R$1.200/mês |
| Aporte carteira diversificada | R$13.496/mês |
| Total poupado/mês | R$15.000 |
| Economia de IR com PGBL (anual) | R$3.960/ano → reinvestida |
| Saldo PGBL em 20 anos (10% a.a., sem come-cotas) | R$896.000 |
| Saldo carteira diversificada em 20 anos (10% a.a.) | R$9.840.000 |
| Patrimônio total em 20 anos | R$10.736.000 |
| Aposentadoria INSS (contribuição mínima) | R$1.518/mês |
| Renda passiva da carteira (4% a.a.) | R$35.786/mês |
| Renda total estimada na aposentadoria | R$37.304/mês |
Cenário C — Contribuição Mínima INSS + Carteira Própria Otimizada (Sem PGBL)
Estratégia: contribuição mínima ao INSS (R$303,60/mês para manter auxílio-doença e salário-maternidade), todo restante em carteira diversificada otimizada (FII 30%, Tesouro IPCA+ 40%, ações 20%, VGBL regressivo 10%).
| Métrica | Resultado |
|---|---|
| Contribuição INSS | R$303,60/mês |
| Aporte carteira otimizada | R$14.696/mês |
| Retorno médio ponderado da carteira | 11% a.a. (FII isento IR melhora retorno líquido) |
| Patrimônio total em 20 anos | R$12.100.000 |
| Aposentadoria INSS | R$1.518/mês |
| Renda passiva da carteira (dividendos FII + rendimentos) | R$40.333/mês |
| Renda total estimada na aposentadoria | R$41.851/mês |
Comparativo Final — 3 Cenários em 20 Anos
| Cenário A (INSS Teto) | Cenário B (INSS Mín + PGBL) | Cenário C (INSS Mín + Carteira) | |
|---|---|---|---|
| Patrimônio acumulado | R$6.100.000 | R$10.736.000 | R$12.100.000 |
| Renda mensal na aposentadoria | R$31.000 | R$37.304 | R$41.851 |
| Proteção por incapacidade | Alta (INSS teto) | Média (INSS mínimo) | Média (INSS mínimo) |
| Eficiência tributária | Baixa | Alta (PGBL + regressivo) | Muito alta (FII isento + VGBL) |
| Complexidade de gestão | Baixa | Média | Média-alta |
Conclusão da simulação: Para o médico com renda de R$40K/mês, o Cenário C (contribuição mínima ao INSS + carteira própria otimizada) acumula R$6M a mais do que o Cenário A (apenas INSS no teto) — e gera renda passiva R$10.851/mês superior na aposentadoria. O custo é maior complexidade de gestão, que pode ser resolvida com assessoria financeira.
Quanto Tempo Para Atingir a Independência Financeira Médica?
A tabela abaixo mostra o tempo necessário para acumular patrimônio suficiente para gerar renda passiva, considerando diferentes faixas de renda e diferentes percentuais de poupança. Assume retorno de 10% a.a. e meta de renda passiva equivalente a 80% da renda atual (regra de substituição conservadora para médicos com estilo de vida consolidado).
Tabela de Independência Financeira por Faixa de Renda e Taxa de Poupança
| Renda Líquida | Taxa de Poupança | Aporte Mensal | Meta de Patrimônio (80% renda, retirada 4%) | Tempo para Atingir |
|---|---|---|---|---|
| R$20.000/mês | 20% (R$4.000) | R$4.000 | R$4.800.000 | 32 anos |
| R$20.000/mês | 30% (R$6.000) | R$6.000 | R$4.800.000 | 24 anos |
| R$20.000/mês | 40% (R$8.000) | R$8.000 | R$4.800.000 | 20 anos |
| R$40.000/mês | 20% (R$8.000) | R$8.000 | R$9.600.000 | 36 anos |
| R$40.000/mês | 30% (R$12.000) | R$12.000 | R$9.600.000 | 27 anos |
| R$40.000/mês | 40% (R$16.000) | R$16.000 | R$9.600.000 | 22 anos |
| R$80.000/mês | 20% (R$16.000) | R$16.000 | R$19.200.000 | 38 anos |
| R$80.000/mês | 30% (R$24.000) | R$24.000 | R$19.200.000 | 29 anos |
| R$80.000/mês | 40% (R$32.000) | R$32.000 | R$19.200.000 | 23 anos |
Cálculo: fórmula de valor futuro com aportes mensais e retorno de 10% a.a. nominal. Meta de patrimônio = (renda mensal × 80% × 12) / 4%. Médicos que iniciam o processo aos 35 anos com taxa de poupança de 30–40% atingem independência antes dos 60–65 anos.
O Impacto de Começar Cedo
A diferença entre começar aos 35 e aos 45 anos não é linear — é exponencial. Um médico que começa a poupar R$10.000/mês aos 35 anos acumula R$6.900.000 em 20 anos (10% a.a.). O mesmo médico que espera até os 45 anos para começar precisa poupar R$23.000/mês para atingir o mesmo patrimônio aos 65 anos — mais do que o dobro do esforço mensal para o mesmo resultado.
Regra prática: Cada 5 anos de atraso no início dos investimentos exige aproximadamente o dobro do aporte mensal para o mesmo objetivo de aposentadoria.
O estudo de independência financeira com dados brasileiros aprofunda o cálculo do número de independência financeira para cada perfil de renda.
Erros Que Atrasam a Aposentadoria do Médico
Ao trabalhar com centenas de médicos na Credco, identificamos um padrão consistente de erros que atrasam — ou inviabilizam — a aposentadoria confortável. São problemas estruturais, não de disciplina individual.
1. Confundir faturamento com renda disponível para investimento
O médico que fatura R$50.000/mês pela PJ e retira R$40.000 na conta pessoal tende a se enxergar como alguém com renda de R$40K. Mas o custo de vida real — incluindo plano de saúde da família, escola dos filhos, financiamento do imóvel e das duas clínicas — frequentemente consome R$35K–R$38K/mês, deixando apenas R$2K–R$5K disponíveis para investimento. A conta de aposentadoria é feita sobre o que sobra, não sobre o que entra.
2. Não ter seguro de renda por incapacidade (e achar que o INSS resolve)
O auxílio-doença do INSS paga no máximo R$7.786/mês. Um cirurgião que ganha R$80K/mês e fica incapacitado por uma lesão na mão não consegue manter sua família e suas obrigações com R$7.786/mês. O seguro de invalidez profissional privado é obrigatório para qualquer médico com padrão de vida acima de R$20K/mês — e custa proporcionalmente muito menos do que o risco cobre.
3. Usar a previdência privada errada para o perfil fiscal
Como detalhado neste artigo e no guia de PGBL ou VGBL: médico PJ com pro-labore baixo que contrata PGBL esperando a dedução de 12% da renda total vai se decepcionar — a dedução é sobre o pro-labore declarado no IRPF, não sobre o faturamento da PJ. O produto certo para esse perfil é o VGBL na tabela regressiva, não o PGBL.
4. Manter investimentos de baixo retorno por anos sem revisão
Caderneta de poupança (6,17% a.a. em 2026, limite máximo), CDB de banco grande com 80% do CDI, e fundos de previdência com taxa de administração de 2%+: esses produtos existem nas carteiras de dezenas de médicos que conversamos. Um médico que deixou R$500.000 em poupança por 10 anos perdeu R$350.000–R$400.000 em rendimento real comparado com Tesouro IPCA+ ou CDB de banco de segunda linha com 110% CDI.
5. Não separar a previdência do capital de trabalho da PJ
A PJ do médico acumula caixa ao longo dos anos — e muitos usam esse caixa como "reserva de aposentadoria". O problema: o caixa da PJ tem finalidade operacional, não previdenciária. Em caso de processo judicial, esse caixa pode ser objeto de penhora. Além disso, o médico que depende do caixa da PJ para se aposentar precisa manter a empresa ativa — e a PJ eventualmente fecha, elimina liquidez ou tem custos crescentes que drenam o caixa acumulado. A previdência pessoal (VGBL, carteira PF) deve ser construída separada do caixa da empresa.
6. Ignorar o impacto dos filhos no prazo de independência financeira
Cada filho representa, em média para famílias de alta renda no Brasil, R$5.000–R$12.000/mês de custo adicional (escola, saúde, atividades). Dois filhos em escola particular em São Paulo podem adicionar R$15.000/mês ao custo de vida por 15–18 anos. Isso reduz a capacidade de poupança em R$180.000/ano — e médicos raramente recalculam seu prazo de independência financeira ao ter filhos.
Checklist de Aposentadoria para Médico — O Que Revisar Anualmente
A construção de uma aposentadoria sólida exige revisão anual — o planejamento inicial muda conforme a renda cresce, a família evolui e o mercado se transforma. Use este checklist todo mês de janeiro:
Estrutura previdenciária
- Confirmar se a contribuição ao INSS está ativa (mesmo que mínima) — verificar CNIS no portal do INSS
- Revisar o valor do aporte no PGBL ou VGBL: atualizar para 12% do pro-labore atual (se PGBL) ou ajustar meta de acumulação (se VGBL)
- Conferir o fundo subjacente do plano de previdência: taxa de administração, performance nos últimos 12 meses, e se ainda faz sentido manter ou portabilizar
Carteira de investimentos
- Rebalancear alocação: FII, Tesouro IPCA+, ações, renda fixa — verificar se o percentual de cada classe está dentro do planejado
- Revisar o "número de independência financeira": quanto precisa acumular para gerar a renda desejada? O número muda com inflação e custo de vida
- Comparar aporte mensal atual com o aporte necessário para atingir a meta no prazo definido — ajustar se houver gap
Proteção e riscos
- Verificar cobertura de seguro de invalidez profissional: o limite ainda cobre o padrão de vida atual?
- Confirmar beneficiários do VGBL e seguro de vida — mudanças de estado civil, nascimento de filhos
- Revisar testamento e/ou holding familiar se patrimônio total ultrapassar R$1.5M
Tributação
- Planejar a declaração do IRPF: o modelo completo ainda é mais vantajoso? (necessário para aproveitar o PGBL)
- Verificar se houve mudança de regime tributário na PJ que afete a estratégia de previdência
- Checar a legislação de dividendos vigente — mudanças tributárias (como a Lei 15.270/2025) afetam a decisão entre pró-labore alto e dividendos
Planejamento de longo prazo
- Atualizar a projeção: com os aportes atuais e o retorno dos últimos 12 meses, em quantos anos você atinge a independência?
- Definir a próxima alavancagem patrimonial: imóvel para renda, expansão de clínica, ou aumento de aportes na carteira?
- Revisar o plano com um assessor financeiro especializado em médicos — o planejamento de aposentadoria é dinâmico, não um documento estático
Perguntas Frequentes
Médico PJ é obrigado a pagar INSS?
Resposta direta: Não é obrigado se os serviços forem prestados pela PJ. Mas ao não contribuir, perde auxílio-doença, salário-maternidade (para médicas) e o direito à aposentadoria pública. A estratégia mais eficiente é a contribuição mínima — R$303,60/mês sobre o salário mínimo — para manter todos os benefícios de curto prazo sem alocar capital desnecessário em um benefício de aposentadoria limitado ao teto de R$7.786,02.
Fonte: INSS — Gov.br
Qual o valor máximo de aposentadoria pelo INSS em 2026?
Resposta direta: O teto do INSS em 2026 é R$7.786,02/mês — independentemente de quanto você contribuiu acima do teto ao longo da carreira. Para médicos com renda de R$20K+/mês, o INSS sozinho substitui menos de 40% da renda, o que é insuficiente para manter o padrão de vida atual sem acumulação privada complementar.
Fonte: INSS — Portaria Ministerial 2026
PGBL deduz do IR de médico PJ no Lucro Presumido?
Resposta direta: Não via empresa. A dedução do PGBL é exclusiva para quem declara IR como pessoa física no modelo completo — ela reduz a base de cálculo do IRPF pessoal. Médico PJ no Lucro Presumido com pro-labore baixo e renda concentrada em dividendos tem base de IRPF pequena, o que limita drasticamente o benefício do PGBL. Nesse caso, o VGBL na tabela regressiva é o produto mais eficiente.
Fonte: Receita Federal — IN RFB 1.537/2015
Quando devo começar a me preocupar com aposentadoria?
Resposta direta: O ideal é antes dos 40 anos — e quanto antes, melhor. A tabela de independência financeira acima mostra: quem começa aos 35 anos poupando R$12.000/mês atinge o patrimônio para R$40K/mês de renda passiva em aproximadamente 25 anos. Quem espera até os 45 precisará de aportes mensais muito maiores para o mesmo resultado. Cada ano de atraso exige um esforço mensal proporcionalmente maior no futuro.
Quanto preciso ter investido para gerar R$20K/mês de renda passiva?
Resposta direta: Usando uma taxa de retirada conservadora de 4% ao ano — adequada para horizontes de 25+ anos e carteiras diversificadas —, é necessário um patrimônio de R$6.000.000 para gerar R$20.000/mês de forma sustentável. Se a carteira tiver alta concentração em FII (dividendos isentos de IR), o patrimônio necessário cai para R$5M–R$5,5M devido à eficiência tributária dos dividendos imobiliários isentos.
Conclusão: A Estratégia de Aposentadoria Certa para Médicos
A aposentadoria do médico não tem uma resposta única — mas tem uma lógica clara:
INSS: contribuição mínima (R$303,60/mês) para proteger auxílio-doença, salário-maternidade e aposentadoria mínima. Contribuir sobre o teto só faz sentido se você está próximo do tempo mínimo de contribuição ou tem interesse específico nos benefícios de maior valor. Para a maioria dos médicos PJ de alta renda, o custo-benefício do INSS no teto não compensa versus investimento privado.
PGBL: eficiente para médicos pessoa física com renda tributável acima de R$15K/mês que declaram IR completo. Para médicos PJ com pro-labore baixo, o benefício é marginal — use VGBL na tabela regressiva como alternativa de acumulação isenta de come-cotas e com IR de 10% após 10 anos.
Carteira própria: a estratégia mais eficiente para médicos acima de R$30K/mês. FII (dividendos mensais isentos de IR) + Tesouro IPCA+ (proteção da inflação) + ações (crescimento real) + VGBL (sucessório e tributário): essa combinação, com aporte mensal de 30–40% da renda líquida, é o caminho mais direto para renda passiva de R$25K–R$50K/mês em 20–25 anos.
A simulação mostrou: o médico de R$40K/mês que opta pela carteira própria otimizada acumula R$12.1 milhões em 20 anos — contra R$6.1 milhões de quem contribui apenas ao INSS no teto. A diferença de R$6M não é sorte — é estratégia.
Se você quer entender exatamente quanto precisa investir, em quais produtos e com qual estrutura tributária para chegar ao seu número de independência financeira como médico, o próximo passo é entender como os profissionais de alta renda estruturam seu patrimônio de forma integrada.
Quer montar sua estratégia de aposentadoria com os seus números reais? No Acelerador Patrimonial, médicos descobrem como combinar INSS mínimo, VGBL ou PGBL e carteira própria para atingir renda passiva de R$25K–R$50K/mês — com simulação individualizada, não teoria genérica.
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Aviso: Este artigo tem caráter educacional e não constitui recomendação de investimento individual. Consulte um planejador financeiro certificado (CFP), contador especializado em médicos e advogado tributarista antes de tomar decisões de previdência e investimento.
Ricardo Melo é CEO e Fundador da Credco, consultoria de alavancagem patrimonial para profissionais de alta renda. Em mais de 10 anos, a Credco estruturou mais de R$250 milhões em patrimônio para 500+ clientes, com foco em médicos, advogados e empresários.
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